São Valentim, est. 2002
Ai de mim, que sou assim. Que vejo o fim assim. Porque fim não há, mas fins. Um leque deles, uns que nem percebo e uns que choro... Fim: nada e tudo a ver com finalidade. Desde que vim é assim. E como escolhê-los, e como apressá-los, e como abreviá-los? Não sei. Mas sei que estão por aí e por aqui: do meu lado e do teu: muitos fins por toda parte. Mesmo por todo tempo nosso. Há de haver um rosto ou um gesto sem fim. Que possa, talvez em uma menina que fala francês, talvez no grande amor da minha vida, persistir e durar. Tudo que é. Assim pode mudar. Sim. Mas a menina tem pai e o grande amor da minha vida um olhar só seu, um jeito que, por mais que eu venha a entender ou tentar, será sempre só seu. Até um fim qualquer, um desses tantos. Nunca até O fim, que não existe. Mas eu existo para sempre enquanto meus fins forem múltiplos: um emaranhado de fins que posso pensar se culminam, mas nem sempre vale a pena. Vivo-me.
Assim.
Assim.


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